Ramsés II , o Grande Faraó

Colocamos aqui um trecho do livro da série Caio Zip, o viajante do tempo em: Ramsés II e a batalha de Kadesh . Este livro foi publicado pela editora Viajante do Tempo e teve seus direitos vendidos para uma das maiores editoras na China.

Memórias de Ramsés II

 Sou User-Maat-Re Setep-en-Re; este é meu nome dinástico que significa, a justiça de Rá, escolhido de Rá, o filho da luz. Mas vocês mortais conhecem-me por Ramsés II, o maior faraó que o Egito já teve. Governei por quase 67 anos: nenhum governante do alto e baixo Egito durou tanto tempo. Fui o grande construtor e o maior de todos os bravos lutadores. Fiquei ainda mais famoso por causa da grande batalha de Kadesh.

Como soberano egípcio tinha a obrigação de tomar posse da terra usurpada pelo meu inimigo, o império Hitita. Kadesh estava sempre sendo contestada, pois se encontrava na fronteira entre os dois impérios. Lá passavam as rotas mercantis para o Oriente. Essa região na Síria, desde o faraó monoteísta Akhenaton, sofria com as tomadas de posse dos hititas e as nossas retomadas. Quem não lutaria por essa terra riquíssima?

No reinado do meu pai, Sethi I, conseguimos tomar a cidade de Kadesh por um breve período, mas os inimigos a recuperaram logo que retornamos ao Egito. Antes de meu pai seguir viagem junto ao deus Osíris, jurei retomá-la em definitivo.

Muito cedo eu adquiri experiência em liderar um exército, pois ao completar 10 anos de idade fui nomeado como comandante-chefe dos exércitos do meu pai e aos 14 anos recebi permissão para participar ao lado dele em combates na Líbia.

No quinto ano de meu reinado, decidi que era o momento de cumprir minha promessa e procurei estudar uma estratégia eficaz para utilizar o meu imenso exército de 20 mil homens, dividido em quatro partes, cada um com o nome de um deus: Amon, Rá, Ptah e Seth.

Durante a batalha, a juventude e a minha vontade sem limite cegaram o meu bom senso. Acreditando nas palavras de dois espiões com relação à localização do exército opositor, adiantei-me liderando a unidade de Amon e afastei-me das outras unidades. Rá não estava conosco nesse momento crucial, pois depois de prepararmos o acampamento, soubemos que os hititas, comandado pelo rei Muwatalli, estavam perto e em maior número. Cerca de 40 mil guerreiros estavam escondidos a poucos quilômetros de nossa posição. Como um raio, eles surpreenderam a unidade Rá que estava se aproximando de nossa posição. Os homens que estavam guiando bigas se assustaram e rumaram em nossa direção seguidos pelos nossos inimigos, que estavam também nesse tipo de carruagem, porém estas eram mais pesadas e deram tempo para que os nossos companheiros nos alcançassem. Foi terrível! Meus olhos não podiam acreditar ao ver que os cavalos que puxavam as bigas acabaram por nos atropelar. Os hititas chegaram e, em vez de aproveitarem a grande chance de nos aniquilar, foram atiçados pela visão de nosso ouro que estava espalhado pelas grandes tendas. Foi a chance que os nossos deuses ofertaram. Aproveitei sem demora e reuni os arqueiros fora do acampamento e ordenei que atirassem em direção aos saqueadores que fugiram em disparada. O rei hitita logo que viu a perda enviou reforços que atravessaram o rio Orontes, frente à fortaleza de Kadesh. Estávamos em luta, desesperados, tudo poderia acontecer. Mas, graças à pronta chegada dos reforços que acompanhavam as forças principais por outra rota, consegui salvar a batalha, reorganizando as divisões e fazendo os hititas recuarem.  Nada se compara à tragédia daquele dia. Milhares de homens perderam suas vidas, de ambos os lados, os hititas afogados, enquanto tentavam fugir, afundados pela aglomeração descontrolada de homens e montarias em fuga. 

Dizem que a batalha de Kadesh não teve vencido ou vencedor, que o norte da Síria continuou sob o domínio hitita e que por pouco não perdi a batalha. Quem teria dito tal calúnia?

O tratado de paz definitivo entre nosso glorioso império e os hititas só foi concluído no 21° ano do meu reinado, quando o império adversário já tinha mudado para as mãos traiçoeiras de Hattusil III, irmão de Muwattali, que se apoderou do trono expulsando o filho do antigo soberano. Pelo que posso ver, daqui da imortalidade, esse tratado foi o primeiro e um dos mais detalhados de que se tem conhecimento na História, um belo exemplo de pacto que ultrapassou em sabedoria política aos muitos concebidos pelas nações e superpotências dos dias de hoje. Devido a uma das cláusulas, tive que desposar a filha mais velha do astuto usurpador para selar a nova amizade. Para mim, não foi sacrifício algum, mas nessa época, eu já tinha como esposa, além da bela Nefertari, a minha segunda esposa Istnofret, fora as mulheres do harém. 

Após a batalha tratei logo de me promover. Foi elaborado um  relato dramático sobre a batalha de Kadesh – exaltando a minha coragem e a intervenção de Amon-Rá para me defender. Para vocês, mortais, terem uma ideia, tal relato foi amplamente divulgado em vários lugares (só no templo de Luxor aparece 3 vezes). Tive o cuidado de deixar narrativas em várias cópias em papiro (uma das versões foi traduzida por um escriba que deu o seguinte nome à composição: “poema de Pentaur”).

CONTINUA NO LIVRO: CAIO ZIP, O VIAJANTE DO TEMPO EM:  RAMSÉS II E A BATALHA DE KADESH

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